Centro de Recursos para a Inclusão: que futuro?

Centro de Recursos para a Inclusão: que futuro?

Decorria o ano letivo de 2008/2009, o meu primeiro ano de colocação enquanto terapeuta da fala num Agrupamento de Escolas, quando ouvi falar pela primeira vez nos Centros de Recursos para a Inclusão.

No Agrupamento, as necessidades eram muitas, mas os recursos humanos eram suficientes para as colmatar, estando contempladas, para além do horário letivo, horas de trabalho indireto para realização de material terapêutico, elaboração de relatórios e tempo disponível para reuniões com docentes e encarregados de educação. Em média, um horário de 35 horas semanais possibilitava o acompanhamento de 25/30 alunos, usufruindo, alguns, de duas ou três sessões terapêuticas por semana.

No decorrer desse ano, começámos então a ouvir falar dos Centros de Recursos para a Inclusão (C.R.I.) e o burburinho foi imenso!…

Havia já colegas com algum conhecimento de causa, que inclusive trabalhavam já em IPSS com este tipo de acreditação, que nos alertavam para uma mudança radical nos tempos disponibilizados para cada agrupamento que em nada se coadunavam com um horário a tempo inteiro num agrupamento. É com tristeza que constato que as vozes críticas estavam certas porque claro, estas reduções seriam prejudiciais não só em relação às condições de trabalho dos técnicos mas, essencialmente, para a qualidade do acompanhamento de crianças e jovens com necessidades educativas especiais. É também um facto que os horários completos das terapeutas da fala nos agrupamentos, em vagas diretos do ministério da educação (sem ser C.R.I.), deixaram quase de existir.

Olhando para trás e analisando as condições de trabalho a que os constrangimentos orçamentais impostos pelo Ministério da Educação nos obrigam, o sentimento só poderá ser de insatisfação. Ao invés das 35 horas semanais para o acompanhamento de 25/30 alunos, vejo agora o ratio invertido. Não posso deixar de realçar a “ginástica” orçamental que a ASSOL realizou para proporcionar aos seus colaboradores condições humanas de trabalho e o seu esforço para manter todos os recursos humanos. De acordo com a verba atribuída para o nosso C.R.I., neste momento este texto não estaria a ser escrito…

Posto isto, as questões são inevitáveis. Que futuro terão as nossas pessoas apoiadas com tão poucos recursos? Que apoio proporcionamos aos nossos parceiros, os Agrupamentos? Qual a realização profissional que levamos para casa, no fim de um dia de trabalho?

Centro de Recursos para a Inclusão…que futuro?

 

Ana Margarida Melo

Terapeuta da fala do C.R.I.