METODOLOGIA

O apoio a cada pessoa é decidido em conjunto com ela e deve ser o suficiente para que a mesma possa utilizar os recursos da comunidade. O apoio ajudará a pessoa a tornar-se mais autónoma e menos dependente dos apoios institucionais. O profissional que disponibiliza os apoios assume o papel de uma bengala que ajuda a pessoa a fazer o seu caminho, mas não decide qual é o caminho.

 

NEGOCIAÇÃO DOS APOIOS

 Os apoios são estabelecidos em função dos sonhos e das necessidades de cada pessoa e sempre negociados com ela e/ou com as pessoas que a possam representar. Os apoios são negociados numa base anual. Desta negociação resulta a definição dos objectivos a atingir, dos apoios a dar para lá chegar e das responsabilidades que a própria pessoa assume nesse sentido. Dadas as características e as idades, esta negociação dá origem a contratos que podem assumir a forma de:

> Plano de Intervenção com a Família

> Programa Educativo Individual

> Plano de Formação

> Acordo de Apoio

 

O PLANEAMENTO CENTRADO NA PESSOA

Estes contratos são discutidos e avaliados em conjunto e também assinados por todas as partes que nele assumem responsabilidades, sendo neles feita uma descrição detalhada das actividades negociadas.

A metodologia que orienta este processo é o Planeamento Centrado na Pessoa, segundo a qual o importante é ajudar a pessoa a criar uma visão do futuro desejado, sendo função do apoio ajudar cada pessoa a realizar os seus sonhos.

 

A PEDAGOGIA DA INTERDEPENDÊNCIA

Esta abordagem baseia-se no reconhecimento da igualdade inerente a todas as pessoas humanas, no uso da não-violência e na procura de uma sociedade mais justa e respeitadora dos direitos humanos.

Procura conseguir que as pessoas se sintam seguras, amadas, envolvidas na vida comunitária e capazes de amar os outros.

Exige o envolvimento dos cuidadores com as pessoas apoiadas e o desenvolvimento de vínculos emocionais fortes que conduzam ao desenvolvimento da interdependência humana, do companheirismo e do sentido de comunidade.

 

O REFORÇO DO PODER E DA CAPACIDADE DAS PESSOAS APOIADAS

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência dispõe no seu Artigo 3.º: (Princípios gerais) na alínea  a) “O respeito pela dignidade inerente, autonomia individual, incluindo a liberdade de fazerem as suas próprias escolhas e independência das pessoas”.

Este princípio implica que às pessoas apoiadas sejam dados poder e meios para decidirem sobre os próprios apoios e tomarem controlo sobre a sua própria vida.

Internacionalmente esta ideia é traduzida pela palavra inglesa empowerment, que não tem uma tradução directa na língua portuguesa, mas significa a transferência do poder do lado institucional e profissional, característicos dos modelos tradicionais, para as pessoas apoiadas.

O empowerment, enquanto movimento, pôs termo ao modo tradicional de organizar os serviços que derivava de uma perspectiva em que a deficiência era vista como uma condição limitadora do valor das pessoas, substituindo essa perspectiva pela crença de que cada pessoa tem forças que emanam, não apenas de si própria, mas também da sua interacção com a sociedade. Assim, surgiu uma nova  forma de organizar os  serviços, que deixam de estar dominados pelo paternalismo e visam tornar mais forte a pessoa com deficiência.

 

A QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS APOIADAS

Todos os esforços desenvolvidos pela ASSOL visam incrementar a qualidade de vida das pessoas apoiadas. Ainda, segundo o professor Ad van Gennep,  a Qualidade de Vida tem um lado subjectivo e outro objectivo. O lado subjectivo estabelece que a qualidade de vida é vista a partir da experiência da pessoa em questão. A  percepção pessoal e subjectiva do lado objectivo da experiência manifesta-se pela maior ou menor satisfação da pessoa.

No sentido de objectivar este conceito toma-se como referência um modelo de qualidade de vida, concebido por John McGee, com oito critérios coerentes com a Pedagogia da Interdependência:

Integridade Corporal > ter saúde, estar bem vestido, alimentado e cuidado;

Sentir-se seguro > Gostar de estar com os outros, não ter medo daqueles com quem vive e viver relaxado em interacção com os outros;

Sentir-se valorizado > Ver-se a si próprio como bom, ser reconhecido como boa pessoa, sentir orgulho, e poder expressar os seus talentos;

Ter uma vida estruturada > Sentir que tem um plano de vida, ter rotinas diárias e ter os seus próprios rituais e crenças;

Um sentido de pertença > Ter um círculo de amigos próximos, valorizar e ser valorizado pelos outros e sentir companheirismo;

Participação social > Ser capaz de ter contacto com a comunidade, de estar entre outras pessoas e de tomar parte na vida da comunidade;

Actividades diárias significativas > Gostar das suas actividades diárias e fazer actividades que se encaixam no seu plano de vida;

Contentamento interior > Sentir harmonia interior e sentir-se livre de experiências traumáticas.